sábado, 27 de setembro de 2014

Assembleia aprova reintrodução do livro de ouro do IHGM


Em Assembleia no último dia 24, sócios do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, aprovaram a reintrodução do Livro de Ouro do IHGM que era utilizado em gestões passadas, como forma de obter fundos. 
A Biblioteca Hédel Ázar, recebeu uma  doação valiosa de cerca de 29 livros dos anos de 1920 a 1940, clássicos da literatura portuguesa, editados em Portugal. Entre as doações, destaque para o Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão de Cesar Marques, 2. edição, 1970, doado pelo presidente do IHGC e sócio do IHGM, Arthur Almada Lima. O presidente Euges Lima, louvou o gesto do sócio Almada Lima, contribuindo para a melhoria do acervo da Biblioteca. Foram também aprovadas as prestações de contas da gestão Pe. Antônio Vieira (2013-2014). A diretoria ficou responsável em organizar no próximo mês um momento para inaugurar o “Livro de Ouro” da Instituição.a Hédel Ázar. Entre as doações, destaque para o Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão de Cesar Marques, 2. ed, 1970, doado pelo presidente do IHGC e sócio do IHGM, Arthur Almada Lima. Foram também aprovadas as prestações de contas da gestão Pe. Antônio Vieira (2013-2014).

domingo, 14 de setembro de 2014

Danos causados com destruição de casarões são irreparáveis


Do Imirante

Sem interesse em reforma e em busca por lucro fácil, proprietários de casarões optam por destruir o patrimônio.

Em março deste ano, o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) deu o alarme: a casa de um dos maiores escritores do nosso país, Aluísio de Azevedo, estava sendo destruída para virar estacionamento. Um post em rede social deu início à revolta cibernética que, em menos 12 horas, já tinha mais de 8 mil interações. Daí o evento tomou conta da cidade e do país, jornais, revistas, sites, blogs em todo o Brasil davam conta de que o local de extrema importância cultural e histórica estava sendo destruído.
Na época, em nota, a Superintendência do Patrimônio Cultural (SPC), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura (Secma), afirmou que reconhecia a importância do casarão, situado na Rua do Sol, na esquina com Rua da Mangueira. Afirmou também que o proprietário do imóvel apresentou ao órgão um projeto de recuperação do prédio, mas a obra foi embargada porque os donos não seguiram as especificações contidas no projeto de restauro aprovado pela SPC, por meio do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Maranhão (DPHAP). Foram tomadas providências administrativas referentes ao caso, com o acionamento da Delegacia de Meio Ambiente e do Ministério Público e o inquérito corre na Justiça.
Acuado, o dono do prédio desistiu do estacionamento, mas o estrago já estava feito. Pessoas que moram ou convivem perto da residência dizem que o local era muito bonito, com piso de madeira, uma escada, também de madeira, que dava para o mirante, e divisões bem feitas. Mas hoje não existe mais nada disso. Tudo foi destruído, resta fachada e alguns ferros retorcidos do lado de dentro. Todas as janelas estão lacradas com tijolos, e até mesmo o portão de rolo de ferro foi concretado para evitar que seja aberto.
O presidente do IHGM, Euges Lima, afirmou que "em qualquer país sério a casa, que aqui em São Luís pertence a particulares, já teria virado um museu", mas, ao contrário, vem sofrendo um processo intenso de degradação, sem que nada seja feito pelos órgãos competentes.
Lei - O artigo 17, do Decreto Lei nº 25 de 1937, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, diz que as coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem sem prévia autorização do órgão responsável, no caso o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ser reparadas, pintadas ou restauradas. A multa, em caso de descumprimento, é de 50 % do dano causado.
Já outro decreto, o 2.484, de 1940, que institui o Código Penal, afirma que destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada em virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico resulta em pena de detenção de seis meses a dois anos e multa. O artigo 166 do mesmo código diz que somente alterar, sem licença, o aspecto do local protegido por lei rende prisão de um mês a um ano e multa.
A legislação ainda prevê que o proprietário de um bem tombado, que não dispuser de recursos para efetuar obras de conservação e reparação, poderá levar isso ao conhecimento das entidades responsáveis, relatando qual a necessidade. O órgão, considerando a necessidade da obra, poderá mandar executar o reparo às custas da União e também, em casos específicos, providênciar a desapropriação do bem.
Estacionamento irregular no Centro tem lucro garantido
São vários os fatores que levam o aparelhamento dos casarões no centro de São Luís para que virem estacionamentos. O primeiro é a demanda. A região ainda abriga o principal centro comercial do estado, a Rua Grande. As transversais abrigam outros comércios varejistas. E o programa de preservação do Centro Histórico incentivou a localização e a concentração de órgãos de funções administrativas dos níveis federal, estadual e municipal. "O problema de estacionamento no Centro Histórico é uma questão que ainda permanece com muitas deficiências, apesar da construção de alguns estacionamentos em volta da área, os usos instalados no local, como equipamentos culturais, instituições, favorecem a concentração de pessoas e a geração de tráfego, criando uma demanda de áreas para estacionamento", explica Karoliny Diniz Carvalho, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão.
Aliado a isso, tem a falência do sistema rotativo de estacionamento, que, mesmo quando funcionava, não era suficiente para atender à demanda. Até 2012, quando o sistema ainda era ativo, eram apenas 1.014 vagas e apenas 380 estavam funcionando efetivamente, as outras estavam com os parquímetros desativados.
O resultado é que faltam vagas nas ruas e os condutores terminam por entrar nos estacionamentos que funcionam nos casarões, alimentando um negócio rentável, já que os donos desses locais, por estarem em situação irregular, não têm alvará de funcionamento e não pagam impostos, restando apenas o salário de funcionários.
Em um estacionamento com capacidade para 30 vagas, em que a hora custa R$ 3,00, a arrecadação pode chegar a mais de R$ 1.260,00 diários, se o estabelecimento atender a sua capacidade máxima e um horário de funcionamento que geralmente vai das 6h às 20h. E locais mais privilegiados, como próximo a bancos e estabelecimentos comerciais, ou mesmo mais perto da Rua Grande, os preços são mais altos e chegam até a R$ 5,00, por hora.
Isso sem contar os mensalistas, que em vez de fazerem um pagamento diário, optam por fechar um contrato mensal com o dono do estacionamento. Geralmente quem faz esse tipo de negócio são pessoas que trabalham no Centro e não querem perder tempo procurando estacionamento ou não confiam em deixar o veículo na rua, aos cuidados de um flanelinha.
Saiba mais
PRISÃO
A empresária Creusa Cutrim Everton foi detida em 1º de julho de 2008 suspeita de ter destruído a estrutura interna de cinco casarões na rua Cândido Ribeiro, no Centro, para transformar o local em estacionamentos. A prisão ocorreu depois de uma operação conjunta entre a Polícia Federal, o Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) e o Ministério Público Federal (MPF). Os cinco casarões, construídos no século XIX, eram da antiga Vila Operária da Fábrica Santa Amélia. A obra havia sido embargada em 19 de maio, pelo Departamento do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Maranhão (DPHAP), órgão ligado à Secretária de Cultura do Estado. Mas a proprietária desobedeceu o embargo. Depois a Prefeitura também embargou a obra, fato que foi mais uma vez ignorado.
PAC
O prédio na esquina da Rua 4 de Julho com a Rua da Palma será reformado graças a recursos enviados pelo PAC Cidade Históricas, do Governo Federal, que prevê a reforma e restauração de 44 pontos históricos em São Luís, incluindo vários prédios que estavam abandonados e irão abrigar órgãos públicos. No total, foram destinados R$ 133 milhões, apenas para São Luís. As obras de reforma já começaram em prédios na Rua da Estrela, que vai servir de sede para a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), na Praça da Alegria, Palácio Cristo Rei (em frente à praça Gonçalves Dias), Palácio das Lágrimas (Faculdade de Odontologia, na rua da Paz, Centro), no Anexo da Faculdade de História da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e no antigo Hotel Ribamar (Praça João Lisboa). Todos os 44 projetos já estão licitados e, até dezembro, pelo menos 15 obras já estarão em andamento.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Clênia Santos faz palestra sobre educação no IHGM


Profa. Dra. Clênia Santos
São Luís - Ontem(10) à tarde, no auditório Ribamar Seguins, ocorreu mais uma palestra do Ciclo de Palestras do IHGM 2014, a quinta deste ano, dessa vez a palestrante foi a sócia efetiva, profa. Dra. Clênia Santos que ministrou a seguinte temática: INOVAÇÃO PEDAGÓGICA: paradigma essencial da identidade das(os) alunas(os) negras(os). Clênia discorreu sobre essa nova corrente pedagógica conhecida como "Inovação Pedagógica" a qual usou com referencial teórico para seus trabalhos de campo e tese de doutoramento.
 A palestrante também falou sobre sua experiência numa escola do ensino fundamental da Rede pública de São Luís, a partir da qual serviu de base para desenvolver suas pesquisas e tese de doutoramento em educação, onde trabalhou a questão da identidade negra pelos alunos e professores, assim com a aplicação da Lei 10.639 que trata da implantação do ensino de história e cultura afro-brasileira na grade curricular das escolas da educação básica, criada em 2003. Ao final, foi exibido um breve documentário sobre a questão racial nas escolas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O fundador esquecido III


Ana Luiza Almeida Ferro*




François de Razilly
Nenhuma avenida, praça ou monumento em São Luís guarda a sua memória. Nenhum colégio da capital maranhense ostenta o seu nome. Nenhuma corrida pelas ruas da cidade o tem como homenageado. Nenhum busto reproduz as suas possíveis feições, que, ao contrário das de seu companheiro mais celebrado, são por demais conhecidas, mercê de um retrato comumente reproduzido nos livros, constante do acervo de um museu parisiense. Nenhum palácio rende tributo ao proeminente papel que desempenhou no empreendimento imortalizado nas páginas da história do Brasil Colônia sob a denominação de França Equinocial.

E, no entanto, não é possível contar a história de São Luís sem mencioná-lo. Mais do que isso, não é possível fazê-lo sem reconhecer-lhe o protagonismo no nascimento da cidade, fundada a 8 de setembro de 1612.
Foi ele quem comandou, ao lado de La Ravardière, a nau capitânia, grande e fortemente armada, denominada Régent, em homenagem à Rainha Regente Maria de Médicis, integrante da frota de três navios que partiu de Cancale rumo ao Maranhão com aproximadamente 500 homens em 19 de março de 1612. Foi ele quem batizou a Upaon-mirim dos tupinambás, ou Ilha Pequena, com o nome de Sant’Ana. Foi ele o “grande morubixaba” gaulês nos contatos com Japi-açu, cacique principal de toda a Ilha de São Luís na época. Foram ele e Daniel de la Touche os lugares-tenentes-generais do Rei Luís XIII que selecionaram o local da edificação do Forte São Luís. Quando Nicolas de Harlay volveu à França, o que se deu pouquíssimo tempo depois da chegada ao Maranhão, este delegou ao nosso fidalgo, militar católico de prestígio do gabinete real, os seus poderes. Ele logo assumiu a posição de “senhor da colônia”, na precisa expressão de Lucien Provençal. Nos breves meses que esteve no norte do Brasil, encarregou-se das relações humanas, do reconhecimento da terra e da evangelização dos índios, com a preciosa assistência dos frades capuchinhos, entre os quais os cronistas Claude d’Abbeville e Yves d’Évreux.
Foi ele a figura mais destacada a participar da cerimônia de 8 de setembro de 1612, cujo ápice deu-se no erguimento e fixação da cruz, na benzedura da ilha e no batismo do Forte São Luís e do Porto de Santa Maria, com a ativa participação dos tupinambás, a qual representou a fundação oficial da colônia da França Equinocial e o momento ritual da fundação da futura cidade de São Luís. A propósito, foi exatamente ele quem batizou de São Luís, em homenagem ao Rei Luís XIII, então menor, o forte que emprestaria o seu nome à cidade, da qual constituiu o núcleo originário, igualmente formado pelas construções de apoio e pelo Porto de Santa Maria. Claude d’Abbeville é deveras explícito neste ponto: “Erguida a cruz, [...] foi também benzida a Ilha, enquanto dos fortes e dos navios muitos canhonaços se disparavam em sinal de regozijo. O sr. de Rasilly deu ao forte o nome de Forte São Luís, em memória eterna de Luís XIII, rei de França e de Navarra [...]” (História da missão dos padres capuchinhos na ilha do Maranhão. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1975, p. 73).
Sim, La Ravardière não fundou sozinho São Luís. O cofundador da cidade, a quem esta, na verdade, deve o nome, foi o Senhor de Razilly, de Oiseaumelle e de Vaux-en-Cuon, nascido em 1578, originário da região de Touraine.
Já na cerimônia de 1º de novembro de 1612 – de afirmação da autoridade da Coroa francesa e cunho especificamente político e complementar àquela de 8 de setembro –, em que os indígenas chantaram o estandarte real, contendo as armas da França, junto da cruz anteriormente cravada no solo da Ilha do Maranhão, o mesmo personagem e seu sócio La Touche decretaram as importantíssimas Leis Fundamentais da França Equinocial, marco legal pioneiro de manifestação de natureza constituinte elaborada nas Américas.
Foi ainda o almirante Razilly quem, de volta à França, salvou da destruição um ou mais exemplares, não obstante o desaparecimento de algumas partes, da obra Seguimento da História das coisas mais memoráveis, ocorridas no Maranhão nos anos de 1613 e 1614, de Yves d’Évreux, cuja publicação fora autorizada em 1615 para, logo em seguida, ser abortada.
E, todavia, François de Razilly é o fundador esquecido de São Luís. Há aí, talvez, um quê de ressentimento filial, de possível contorno freudiano, pelo fato de ele não haver cumprido o seu compromisso de regressar ao Maranhão. Como “uma das velhas glórias da França”, na avaliação de Ferdinand Denis, Razilly poderia, com sua sólida experiência militar, sem dúvida, ter feito pender a balança para o lado gaulês na Batalha de Guaxenduba, às portas de completar 400 anos. Mas, na realidade, ele não abandonou a França Equinocial ou dela se desinteressou após retornar à pátria, antes se viu abandonado pela Rainha Maria de Médicis e por aqueles que, no princípio, o haviam apoiado na empreitada no norte do Brasil. Gastou sua fortuna para rearmar a nau Régent e permaneceu na França até lhe parecer perdida qualquer esperança de consecução de algum auxílio oficial à colônia no Maranhão.
Ele não merece, portanto, o esquecimento que lhe dedica a cidade que lhe deve muito mais do que o nome.

 




* Promotora de Justiça, Doutora e Mestre em Ciências Penais (UFMG) e sócia efetiva do IHGM.