quarta-feira, 12 de março de 2014

Casa onde Aluísio Azevedo morou e escreveu "O Mulato" poderá virar estacionamento


Por Euges Lima (prof. de história e vice-presidente do IHGM)

Foto: Euges Lima
Muitos que passam pela Rua do Sol, esquina com a Rua da Mangueira, Centro de São Luís, não imaginam que nessa morada inteira com um mirante(sobrado), do século XIX, esquecida e em estado deplorável de conservação, viveu o escritor Aluísio Azevedo, autor de uma das obras mais importantes da literatura brasileira, “O Mulato” que em 1881 abriu caminho para o naturalismo e o realismo no Brasil.

Em qualquer país que leve a sério seus grandes escritores, sua história e cultura, já teria transformado há muito tempo, a casa onde residiu Aluísio Azevedo, num museu,  mas aqui em São Luís, não, a casa pertence a particulares e nos últimos anos vem sofrendo um processo intenso de degradação a olhos vistos e nada é feito pelos órgãos “competentes” que deveriam preservar e fiscalizar o patrimônio histórico-arquitetônico da Cidade que é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
Vendo esse descaso, o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), cumpriu com suas finalidades estatutárias e tradição que é “defender e velar o patrimônio histórico do Maranhão” e resolveu denunciar esse crime contra a história do Maranhão, através de sua Fan Page no Facebook, iniciando aí um movimento para reverter essa situação.
Além do atual estado avançado de deterioração do imóvel, existe ainda a suspeita de que a casa estaria sendo preparada para em breve servir de estacionamento, prática que vem ocorrendo sistematicamente nos últimos anos no Centro de São Luís, onde casarões, moradas inteiras e meias moradas de propriedade de particulares vão sendo demolidas ou desfiguradas para dar lugar a estacionamentos e nada é feito pelos órgãos “responsáveis”. Será que a casa onde Aluísio Azevedo escreveu “O Mulato” também terá o mesmo fim?
Segundo depoimento de Aracéa Carvalho, na página do IHGM, anteriormente, a casa pertenceu ao Sindicato dos Urbanitários que “procurou sempre conservá-la dentro de suas possibilidades, inclusive procuramos os órgãos públicos propondo que a comprassem para fazer uma casa de cultura ou museu e simplesmente nem deram resposta. Daí, o Sindicato vendeu há 8 anos para quem se interessou, mas, para nossa surpresa, o comprador deixou fechada desde então, se acabando. "
A denúncia feita ontem à noite pelo IHGM, repercutiu e revoltou pessoas em todo Brasil. Até há pouco, a postagem da denúncia contabilizava mais de 7000 visualizações, mais de 180 compartilhamentos e mais de 20 comentários.
 

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