quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Diogo Neves realiza palestra hoje à tarde no IHGM




MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE À SOCIEDADE BRASILEIRA PELAS PERDAS SOFRIDAS COM O INCÊNDIO DO MUSEU NACIONAL






Os membros do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) – representados na pessoa do Presidente da Diretoria deste Sodalício, Professor José Augusto Silva Oliveira – vêm a Público manifestar solidariedade à Sociedade Brasileira pelas perdas provocadas pelo incêndio que atingiu o prédio do Museu Nacional. Foram 200 anos de história perdida em decorrência do abandono a que foi submetido o museu mais antigo do Brasil, com mais de 20 milhões de peças.

Os membros do IHGM, que desde de já se colocam à disposição das autoridades na tarefa de preservação dos bens nacionais, entendem que o incêndio que destruiu o Museu Nacional revelou a falta de compromisso com o Patrimônio Histórico Nacional ao tempo em que evidencia a necessidade urgente no que diz respeito à criação de uma força-tarefa com vistas a impedir que o mesmo ocorra com as demais peças culturais do Povo Brasileiro.



São Luís (MA), 05 de setembro de 2018



Prof. José Augusto Silva Oliveira
Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM

sábado, 8 de setembro de 2018

A Praça Pedro II



Diogo Guagliardo Neves*




Celebra-se em 7 de Setembro, data magna da Nação, o que seria o ato principal de sua Independência em relação a Portugal – o Grito do Ipiranga –, protagonizado pelo príncipe Pedro de Alcântara às margens daquele regato da então Província de São Paulo, em 1822. Já em São Luís, a data antecede outro importante feriado: o que rememora a fundação da cidade pelos franceses em 1612.

Não há, então, época mais propícia para a entrega de uma das mais importantes obras de requalificação de bens culturais da capital maranhense: a praça Pedro II. Conduzida pela Prefeitura de São Luís, durante a administração do sr. Edivaldo Holanda Júnior, ela devolverá restaurada, aos Ludovicenses, a estátua da “Mãe-d’água Amazonense”, obra em bronze produzida em 1940 e último trabalho de Newton Sá, escultor nascido em Colinas em 1908, que faleceria ao final daquele ano.

O logradouro em questão, bem defronte a Igreja da Sé, e indo até o parapeito donde se mira a foz dos rios Anil e Bacanga, é circundado pelos prédios que simbolizam (ou simbolizavam) os poderes públicos: o próprio templo, o principal da Igreja Católica no Maranhão, e que no início dos Oitocentos hospedou em suas dependências a Assembleia Provincial (atualmente Legislativa); a Casa de Câmara e Cadeira, hoje Palácio Daniel de La Touche, que sedia a governança da municipalidade e que antes também era a dos vereadores; à sua frente o Tribunal de Justiça e, mais adiante, o Palácio dos Leões, onde habita o governador do Estado.

Poucos sabem, no entanto, o porquê da praça chamar-se Pedro II.

Com efeito, a monarquia brasileira foi abolida por um golpe – que também se transformaria em feriado – no dia 15 de novembro de 1889, tocado por alguns militares que desejavam novo regime em que pudessem participar da política, motivados por ex-escravocratas rancorosos com a Lei de 13 de Maio de 1888 e outros setores modernizantes que acreditavam que para o Brasil virar uma espécie de Estados Unidos dos trópicos, bastava instalar a “República”. O fim da monarquia, porém, marcaria o começo da primeira ditadura da história pátria.

De fato, o país não conheceria o lema posto na nova bandeira: “Ordem e Progresso”. A Crise do Encilhamento trouxe a inflação, até então coisa desconhecida, a Guerra de Canudos e o cangaço nos sertões, o surgimento das favelas, a não integração do negro à sociedade e a falta de liberdade, essa solapada por sucessivos governos de oligarquia, cujos interesses não eram outros senão os altos privilégios fornecidos pela República.

A insatisfação popular aliada ao primeiro centenário da Independência, fez ressurgir, em meados da década de 1910, a memória do extinto monarca morto em 1891, quase esquecido por todos, num modesto quarto de hotel em Paris.

D. Pedro II, referência de moral, foi avesso a luxos. Chamado de “O Imperador Cidadão”, durante seus mais de cinquenta anos de reinado, proibiu que a Assembleia Geral do Império (o atual Congresso Nacional) reajustasse seu “salário”, sob a alegação de que o dinheiro não era exatamente seu, mas público, e que por isso deveria ser gasto apenas com o estritamente necessário. Mesmo assim, da própria remuneração custeava o estudo de jovens e o trabalho de cientistas. Ele e sua esposa, a Imperatriz Teresa Cristina (cujo nome batizou a segunda maior cidade do Maranhão e a capital do Piauí), contribuíram sobremaneira para formar o acervo do Museu Nacional, inteiramente perdido, após anos de descaso, no incêndio do dia 2 de setembro último. 

Maneira tal que diversos espaços públicos nas principais cidades ou passaram a ostentar monumentos em honra de sua pessoa, ou adotaram seu nome. Em 5 de fevereiro de 1911, Petrópolis entrega a estátua do Imperador (autoria de Jean Magrou, o mesmo  daquela de João Francisco Lisboa, que se encontra no Largo do Carmo); A 7 de setembro de 1913 foi inaugurada uma na capital do Ceará, defronte à Catedral de Fortaleza, e no início dos anos 1920, a Praça da Independência em Belém do Pará torna-se Praça D. Pedro II.

O Presidente da época, Epitácio Pessoa, revogou, em janeiro de 1921, o decreto de banimento da família imperial, o que então possibilitou a vinda dos restos mortais do Imperador e da Imperatriz, e o retorno do Conde d’Eu para a principal comemoração do Centenário, mas infelizmente, já bastante idoso, sucumbiu durante a viagem de navio. A Princesa D. Isabel, que seria a estrela do evento, faleceu mesmo na Europa meses antes, sem poder rever em vida a própria terra.

Os ventos do reconhecimento e da memória chegaram ao Maranhão, e foram personificados no centenário do Imperador a 2 de dezembro de 1925.  A edição n.º 177 do jornal O Combate noticiou: “Está despertando interesse a comemoração, aqui, do centenário do grande brasileiro, que foi D. Pedro 2º”. Começaria a festividade durante a alvorada com salva de foguetes e missa campal às sete da manhã em frente ao Palácio Episcopal, celebrada pelo Arcebispo D. Otaviano Pereira de Albuquerque, informando logo que a Avenida Maranhense passaria a “ter o nome do homenageado” a partir daquele dia. Na programação são citados desfiles cívicos de estudantes, operários do comércio e indústria em volta da Pedra da Memória (naquela época ainda não localiza na Avenida Beira-Mar), sob a guarda da força armada policial, matinées, recitais de poesia, dentre outras atividades conduzidas por personalidades importantes da cidade, como a educadora Rosa Castro. Posteriormente, o periódico informava da incorporação ao evento do 24º Batalhão de Caçadores e do apoio da classe empresarial. Todas as embarcações estacionadas no porto de São Luís “embandeirarão em arco durante o dia”, incluso o destroier “Amazonas”, da Marinha do Brasil.

O natalício do Imperador foi declarado feriado e rebatizado o espaço, conforme a nota: “A Câmara Municipal em sessão de ontem decretou feriado o dia de amanhã bem como a lei que manda substituir o nome de Avenida Maranhense pela de D. Pedro Segundo, atos esses que foram ontem mesmo sancionados pelo prefeito municipal”.

O Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM, fundado naquele mesmo ano, teve papel importantíssimo nessa memorável homenagem pública. Um de seus cofundadores, o padre Arias Cruz, proferiu belo discurso em deferência ao Imperador após a celebração religiosa. Mas não só. Ali ocorreria a primeira reunião da entidade na sede da Câmara Municipal, às dez horas, com o mesmo propósito.

Foram palavras do orador católico: “E D. Pedro II, meus amigos, nasceu para perdoar: não sabia ter resentimentos, não aprendera a guardar rancor. ‘Sofreu ingratidão, injúrias, decepções tremendas – escreve um dos seus intimos – viu-se de repente despojado do trono, expulso da Pátria como um réprobo, privado de tanto quanto amava, de tudo aquillo a que se achava acostumado!... E nunca uma recriminação, uma queixa, uma expansão menos majestosa, que de leve lhe desconcertasse a serenidade olímpica da compostura!...’ Coisa difícil, conterrâneos meus, o exercício da tal fineza; é predicado que a mui poucos singulariza, e com alarmante escassez em nossos dias. Aquele que não encontra obstáculos em remittir, manifesto é que nenhum estorvo o detém na desobriga de quaisquer outros mandamentos cristãos.”

Nascia, assim, a 2 de dezembro de 1925, a praça (D.) Pedro II, em plena comemoração àquele que é, sem dúvida, a maior referência da ética pública, desprendimento e civismo da História do Brasil. Acerta a municipalidade de São Luís em devolver reformado aos habitantes da urbe, sob o balançar das altas folhas das palmeiras imperiais, tão significativo logradouro, mais ainda nesta época obscura e triste, em que o legado dos monarcas e de todo um povo é literalmente lançado nas chamas.





* Advogado, historiador e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão – IHGM.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

IHGM faz homenagem hoje ao Dia do Historiador




O Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão - IHGM, faz homenagem hoje, ao Dia Nacional do Historiador. Durante as homenagens haverá a palestra “Diogo de Campos Moreno: conquistador do Maranhão”, às 16 horas que será realizada pelo historiador Rosberg Farias, seguida pelo lançamento da Revista de n. 46, às 17:30 na sede do IHGM. A programação é aberta ao público.

O Dia Nacional do Historiador ainda é recente, foi criado em 17 de dezembro de 2009, por meio da Lei Federal de n. 12.130/2009, sancionada pelo então presidente em exercício, José Alencar.

A data escolhida foi o 19 de agosto, aniversário do pernambucano Joaquim Nabuco, que foi político, diplomata, abolicionista, escritor e historiador do período imperial e início da República.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

IHGM lançará Revista dia 22 de agosto




Importantes temáticas são abordadas neste número, como a ocupação francesa no seiscentos, a partir dos olhares dos seus cronistas, franceses e portugueses, o questionamento da fundação de São Luís, as três fundações do IHGM, o interessante texto da professora Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo (falecida ano passado), em homenagem aos 90 anos do IHGM, onde conta parte de suas vivências nos quarenta anos como sócia efetiva (1977/2017).

Há artigos também sobre nomes importantes da intelectualidade e ciência maranhense, como Raimundo Lopes, Nina Rodrigues, Astolfo Serra e Aderson Ferro, entre outros temas da história do Maranhão, além de eruditos discursos de posses que compõem e engrandecem este volume, sempre trazendo informações preciosas sobre os patronos desta Casa. 

O volume consta com dezenove colaboradores/autores e vinte dois textos, entre artigos e discursos, além de um caderno de fotografias das principais atividades do Instituto, entre 2015 e 2017, assim como a relação de patronos e ocupantes atuais.

A publicação desta revista é produto do Termo de Cooperação Técnico-Cientifica, firmado em 2016 entre o IHGM e a SECTI (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Maranhão).

O lançamento será no próximo dia 22 (quarta), durante as homenagens ao Dia do Historiador que terão inicio às 16 horas com a palestra “Diogo de Campos Moreno: conquistador do Maranhão”, que será realizada pelo historiador Rosberg Farias, seguida pelo lançamento da Revista de n. 46, às 17:30 na sede do IHGM. A programação é aberta ao público.