quinta-feira, 23 de julho de 2015

Justiça aplica multa e bloqueia bens da dona da casa de Aluísio Azevedo

Do Site G1 Maranhão


Foto: Euges Lima
A pedido do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), a Justiça deferiu liminar que aumentou para R$ 10 mil por dia a multa a ser paga pela proprietária da casa onde morou o escritor Aluísio Azevedo, localizado na rua do Sol, 567, Centro de São Luís, caso não sejam adotadas providências para realizar o escoramento, limpeza e conservação do imóvel. O prazo estabelecido pelo juiz Clésio Coelho Cunha, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, para o cumprimento das decisões foi de 48 horas, e até agora nenhuma providência foi tomada pela proprietária do imóvel, Bianca Costa Silveira.
Foto: Euges Lima
Também foi determinado o bloqueio de todos os imóveis e de veículos registrados em nome da proprietária, com a expedição de ofícios, respectivamente, aos cartórios de imóveis de São Luís e ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), para que não sejam averbados e registrados atos de alienação ou garantia sobre esses bens.
Em 2014, a Promotoria do Meio Ambiente ajuizou ação civil pública para que a proprietária da casa providenciasse os serviços de escoramento, limpeza e conservação do imóvel. Adquirido por Bianca Silveira em 2007, o imóvel é tombado pelo Estado do Maranhão por meio do Decreto n°10.089/86. A fim de que seja debatida a obrigação da proprietária de restaurar o imóvel, bem como se é cabível a sua condenação por danos extrapatrimoniais, a Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís designou audiência de instrução e julgamento para o dia 4 de agosto.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

160 anos de Artur Azevedo



Ele é uma das principais figuras da história do teatro brasileiro. Jornalista, contista, poeta, teatrólogo, dramaturgo, crítico teatral, autor de inúmeras peças, algumas em parceira com o irmão, Aluísio Azevedo. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e grande entusiasta da criação do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a primeira casa de espetáculos do Brasil. 
 
Nasceu em São Luís no dia 7 de julho de 1855, indo morar no Rio de Janeiro em 1874, aos 19 anos, onde construiu sua carreira de dramaturgo e jornalista. Faleceu em 1908 no Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério do Caju. Amanhã, dia 7 de julho, comemora-se 160 anos do nascimento de Artur Azevedo.
 

sábado, 27 de junho de 2015

Para dizer que não falei de Aluísio Azevedo


Do Site Passeio Urbano


Foto: Euges Lima
Por que as coisas não funcionam no Maranhão? Por que o brasileiro, o maranhense em específico, é um povo tão sem memória? Há alguns meses, graças a uma denúncia do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, o Ministério Público entrou com uma Ação Civil Pública para embargar a obra que pretendia construir um estacionamento no casarão histórico onde viveu Aluísio Azevedo, escritor e jornalista maranhense introdutor do Naturalismo no Brasil, e no qual em seu mirante escreveu “O Mulato”. Além disso, a ação prevê a restauração do imóvel pela proprietária. Mas passados oito meses nada foi feito e o casarão pode desabar. Um descaso com a cultura e a memória do nosso estado. O que é lamentável.
Já tive a oportunidade de viajar para alguns lugares e perceber como as pessoas valorizam seu passado, sua gente, seus grandes nomes em diversas áreas de conhecimento. Nas artes, em específico, isso é bem mais latente.
Em Madrid, na Espanha, a casa onde viveu o poeta Lope de Vega (1562-1635) foi restaurada pela Real Academia de Lengua Española e transformada em museu, onde se conta um pouco da história do escritor. Em, 1935, a casa foi declarada Monumento Nacional durante a celebração do terceiro centenário de sua morte.
Em frente à casa a inscrição em latim também restaurada: “Parva propria magna, magna aliena parva“. Em português: “A casa própria é grande, ainda que seja pequena. A casa alheia é pequena, ainda que seja grande”. Nela, Lope de Vega reflete sua satisfação em possuir um lar próprio, algo bastante difícil numa época em que os poetas viviam em constantes dificuldades econômicas. Próximo dali, fica a casa do maior escritor espanhol, Miguel de Cervantes, que também foi declarada Monumento Nacional; muito bem preservada.
Em Paris, um dos mais célebres romancistas franceses, Victor Hugo, autor de “Os miseráveis” e “Notre-dame de Paris”, também teve sua casa transformada em museu. A casa onde viveu com sua esposa por mais de 16 anos, na Place des Voges, guarda coleções permanentes que vão desde escritos e documentos literários do autor, bem como mobiliários e “decoração” concebida por ele para os cômodos do apartamento.
Casa de Pablo Neruda
No Chile, Pablo Neruda, talvez o maior nome da literatura desse país, não teve só uma, mas três de suas casas transformadas em museus e estão entre as atrações culturais mais visitadas do país, movimentando o turismo local. São elas: La Chascona em Santiago, La Sebastiana em Valparaíso e Isla Negra, em Isla Negra. Todas contam um pouco da trajetória intelectual do poeta.
Não muito longe, em Belo Horizonte, a casa onde passou a infância Guimarães Rosa, vejam só, há 40 anos também recebe visita de turistas. A casa onde nasceu o autor de Sagarana é hoje um museu que reúne bom acervo de fotos, coleção com as indefectíveis gravatas-borboleta, toda a obra literária, matrizes de xilogravuras usadas em volumes como Corpo de Baile (1956), espada, bainha e diploma da Academia Brasileira de Letras, máquina de escrever, rascunhos de trabalhos e outros objetos pessoais.
Então me digam por que por aqui as coisas têm de ser mais difíceis, tudo mais moroso e burocrático? E porque só agora, quando o prédio está quase virando pó se começou a tomar alguma atitude. Não cabe aqui só culpar o poder público ou a iniciativa privada, a culpa é de todos nós que só sabemos “lutar pelos direitos” quando a ferida é na nossa pele e quando ela está bastante infeccionada, a ponto de amputar um membro.
São Luís, que já é tão carente de espaços culturais, está perdendo a oportunidade – mais uma oportunidade – de atrair turistas, de movimentar a economia local e de melhor as condições de vida dos moradores da cidade. Sem falar no grande abismo negro que estamos jogando o nome de um dos mais brilhantes escritores brasileiros e na falta de ação para preservação do patrimônio arquitetônico que deu à cidade o título de Cidade Patrimônio da Humanidade. Como eu queria poder levar meus alunos de Literatura para conhecer a sua obra através de uma experiência diferente, além da sala de aula!
Amo a minha cidade, sou muito otimista de que ela poderá ser uma grande cidade turística, falada (bem falada) pelo mundo a fora. Mas do jeito que estamos indo, fica difícil manter a esperança de que as gerações vindouras poderão conhecer a nossa história, além daquelas contadas pelos políticos, a de que a reforma da pracinha do bairro da periferia, onde nem coleta de lixo é feita, é a grande obra de seus mandatos.
 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Edital n.º 08/2015



Casarão onde Aluísio Azevedo escreveu O Mulato pode desabar


São Luís - Em março de 2014, o IHGM denunciou nas redes sociais a situação de abandono e a demolição interna do Casarão onde Aluísio Azevedo escreveu O Mulato, liderando um movimento em defesa do imóvel, inclusive, realizando um abraço coletivo, para chamar a atenção das autoridades e da sociedade para o problema. Haviam fortes indícios que o objetivo da proprietária era transformá-lo em estacionamento.
A denúncia ganhou repercussão nas redes sociais e na internet, dezenas de sites e blogs denunciaram o caso. O Ministério Público, entrou com uma Ação Civil Pública para que a obra fosse embargada e fosse restaurado e reconstruído o Casarão.
 Em outubro do ano passado, a justiça concedeu liminar no sentido da proprietária, Bianca Silveira, realizar reparos urgentes para evitar o desabamento da fachada, num prazo de 15 dias, sob pena de multa diária de mil reais.
 Passaram oito meses, nada foi feito e o estado do Casarão só se agravou, correndo risco iminente de desabamento. O imóvel está na área de tombamento estadual. O Ministério Público já solicitou na justiça, audiência com as partes, porém ainda não houve decisão sobre isso.